A importância da regulação no sistema financeiro

No cenário de crise atual, assiste-se novamente a um aumento do poder e da intervenção das entidades reguladoras no sistema financeiro. No entanto, o custo que muitas medidas reguladoras acarretam para as organizações pode traduzir-se num constrangimento competitivo, especialmente em economias como a nossa.

Tipo:
  • Artigos de Opinião »
Author:
  • Luís Batista
Publicado em: Vida Económica - 16 December 2011
No decorrer do último século, temos assistido a um aumento, por vezes desmedido, das normas e práticas de regulação, em resposta aos cenários de crise económica e financeira. Esta tem sido, consecutivamente, a solução encontrada para a recuperação de cenários difíceis e, por vezes, catastróficos.  

Relembremos, a título de exemplo, o “crash“bolsista de 1929, nos EUA, seguido da aprovação em congresso de uma série de medidas reguladoras, das quais se destaca o “Glass-Steagall Act” de 1933. Esta lei, que veio a ser revogada em 1999, visou dotar o recém-criado Federal Reserve Bank de mecanismos de controlo do sistema bancário norte-americano, totalmente inexistentes à data.  

No cenário de crise atual, voltamos a assistir a um aumento do poder e da intervenção das entidades reguladoras, o que nunca pode deixar de ser encarado como um fator positivo no restabelecimento da confiança, dos mercados e dos próprios consumidores, no sistema financeiro. No entanto, o custo que muitas medidas reguladoras acarretam para as organizações pode traduzir-se num constrangimento competitivo, especialmente quando nos debruçamos sobre economias menos elásticas e mais expostas a fatores de alavancagem externos, tal como a nossa.  

Estando as instituições financeiras sujeitas à obrigatoriedade de reportar, cada vez mais, toda a sua atividade, bem como salvaguardar a legitimidade da atividade financeira dos seus clientes, acabam por ser os sistemas de informação a consumir larga fatia dos, já apertados, orçamentos anuais, pelo esforço de investimento necessário ao cumprimento das normas de “reporting”.  

Como enquadrar este peso regulador nos objetivos primordiais de criação de valor para o “stakeholder”? Na realidade, não existe uma fórmula ou uma receita mágica para conseguir aquilo que à partida se apresenta como um objetivo de concretização difícil: manter o “driver” fundamental da redução de custos, cumprir com toda e qualquer norma ou indicação reguladora e, ainda assim, continuar a criar valor para o acionista de forma a conseguir captar e promover investimento.  

Não obstante, há que manter o foco na reformulação de estratégias, de processos, de sistemas e até mesmo na forma como se faz negócio, pois poderá ser este o caminho para atingir o equilíbrio num mundo que está, necessariamente, a mudar.  

O trabalho em equipa concertado entre o poder legislativo e o poder financeiro, com as parcerias certas, com o contributo dos “players” e “providers” de soluções, alavancado em princípios e objetivos comuns, é com certeza o trilho que as instituições financeiras devem de percorrer de imediato. Os recursos são escassos, as exigências são maiores, necessariamente os modelos de negócio e investimento têm de ser adaptados a esta nova realidade.